O ano de 2017 não foi nada fácil para a melhor jogadora do mundo de futsal feminino. Mudou-se de cidade, começou em um novo time, conheceu novas atletas e ainda se lesionou 2 vezes. Amandinha jogou por 6 temporadas no Barateiro Futsal (Brusque – SC), entretanto, em 2017, começou a vestir a camisa do time Leoas da Serra (Lages – SC). Aos 23 anos, Amandinha foi eleita por 4 vezes seguidas como a melhor jogadora do mundo (2014, 2015, 2016 e 2017) pela Agla Futsal Awards.

“Então, como todo mundo já sabe, o ano de 2017 foi um dos anos mais difíceis da minha carreira pelo fato de ter trocado de time, onde eu já estava estabilizada, e por conta das duas lesões que eu tive, uma no tornozelo e outra muscular. Logo, eu tive que ter toda uma adaptação. Uma mudança drástica. Tive que mudar de cidade, conheci novas companheiras de equipe e mudei a forma de jogar. Só nessas coisas que eu citei, vocês podem ver que é uma realidade totalmente diferente. Porém, a adaptação aconteceu de forma rápida. O Leoas da Serra tem um time muito bom e com meninas inteligentes. Acredito que a adaptação foi muito rápida por conta disso, claro, as lesões dificultaram esse processo mas não mudou a questão de entrosamento. É sempre difícil sair da sua zona de conforto para novas aventuras, mas acredito que já estou adaptada e tudo vem dando certo aqui”, disse Amandinha para a Fast Progress.

As lesões citadas anteriormente, que ocorreram durante a temporada, deixaram a atleta parada por 3 meses. A primeira foi uma lesão no tornozelo direito, impossibilitando a mesma de jogar por 2 meses, e a segunda foi uma lesão muscular na posterior da coxa, deixando inapta para atividades físicas por 1 mês. A jogadora conta que ela não esperava ganhar o último prêmio da Agla Futsal Awards mediante a todas as dificuldades vivenciadas durante o ano.

“Olha, de todas as outras vezes que eu ganhei o prêmio de melhor jogadora do mundo, posso dizer que essa foi a mais importante por conta da mudança de time e pelas dificuldades que passei no ano de 2017. Eu tive uma incerteza, pois nos outros anos eu sabia que eu estava brigando com força, e no último ano estava tudo em aberto. Eu tava na igreja e minha amiga me ligou, me deu a noticia e para mim foi surreal, senti uma presença de Deus e eu entreguei nas mãos dele aquele momento, pois tudo foi fruto de muito trabalho e de muita honra por parte dele. É sempre muito bom representar o Brasil, todo mundo sonha em chegar na Seleção Brasileira e eu sou agraciada com isso. Hoje eu posso receber meninas novas, eu posso ver que elas se espelham em mim. Então, eu relembro o dia que eu apenas sonhava, eu olhava para outras jogadoras e me inspirava nelas, hoje, são outras atletas que se inspiram em mim. Todo esse contexto do futsal me deixa muito feliz e espero representar o Brasil por muito tempo”, contou a Ala do Leoas da Serra.

Em 2017, a Seleção Brasileira de Futsal Feminino realizou um amistoso contra a Seleção Estadual do Rio de Janeiro na Arena Carioca 1. Esse amistoso fez parte da preparação do Brasil para a Copa América do mesmo ano. Centenas de pessoas foram até a arena, localizada na Barra da Tijuca, para prestigiar o time nacional e também a Amandinha, afinal, durante os 40 minutos de jogo o público gritou seu nome diversas vezes. Além disso, a jogadora foi extremamente assediada pelos fãs depois da partida, sendo assim, atendendo a todos os pedidos de fotos, autógrafos e entre outros.

“Para mim, é algo muito especial ter fãs e ter pessoas que admiram o seu trabalho, ter pessoas que acompanham e estão sempre mandando energias positivas para mim. Isso não tem preço. Eu sou muito feliz por isso. O pessoal do Rio de Janeiro me receberam de braços abertos. Foi uma convocação super bacana. Graças à Deus, depois do ano de 2016 não ter tido nenhuma convocação, em 2017 ter acontecido a Copa América e o Rio de Janeiro ter nos recebido foi algo bem gratificante. Nunca tínhamos feito uma preparação lá, logo, ter mostrado a seleção feminina para o Rio foi maravilhoso. Receber o carinho das pessoas que estavam lá foi melhor ainda. Então, é muito bom para mim receber esse carinho pessoalmente, quando as pessoas podem me ver, e pelas redes sociais, através de mensagens de apoio. São pessoas especiais que ficam guardadas no meu coração, afinal, eu sei que eles não admiram só a Amandinha dentro da quadra. Eles admiram o que eu transmito para eles. Eu espero que eu nunca mude esse meu jeito de ser, sempre vou querer o bem das pessoas”, desabafou a atleta da Seleção Brasileira.

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Em 2017, a atleta ganhou diversos títulos coletivos, como: campeã da Copa América (Brasil), campeã dos Jogos Abertos de Santa Catarina (Leoas da Serra) e vice-campeã do Campeonato Catarinense (Leoas da Serra). Já em 2018, a Ala ganhou a Super Copa e garantiu uma vaga na Copa Libertadores da América para a equipe catarinense.

“Graças à Deus, nós iniciamos o ano de 2018 com título e uma vaga para a Libertadores. Logo, o título que eu mais desejo ganhar é a Libertadores para a cidade de Lages, claro que por mim também mas esse título é muito importante para a comunidade local. Não quer dizer que se a gente não ganhar eu vou desistir, claro que não. Porém, é muito importante para nós. É um título que almejamos desde o ano passado, desde quando iniciamos esse projeto. Acho que nada mais justo disputar uma Libertadores e brigar por título, independente se vamos ganhar quero ver a minha equipe feliz. Vamos representar o Brasil muito bem e vamos trazer esse título para o nosso país”, falou a atleta de futsal.

Entretanto, não é só de prêmios e títulos que a Amandinha vive. Afinal, neste ano a jogadora de futsal conclui o curso de Fisioterapia na faculdade. Porém, a mesma não deixará o futsal de lado nesse tempo.

“Em 2018, eu almejo profissionalmente dar o meu melhor pelas Leoas da Serra, mostrar porque o Leoas é um time de alto rendimento e brigar pelos títulos dando o nosso melhor. Já na minha vida pessoal, estou no meu último ano na faculdade de Fisioterapia. É uma profissão que eu sou muito apaixonada. Logo, eu espero realizar meu sonho de me formar neste ano. Quanto ao título de melhor jogadora do mundo de 2018, eu deixo nas mãos de Deus. Se for ficar comigo, será legal. Se for para outra menina a ser agraciada, será bom também. É uma coisa muito gratificante, mas que seja feita a vontade dele”, comentou a jogadora do Leoas da Serra.

Para finalizar, gostaríamos de agradecer a Amandinha por disponibilizar um tempo da sua rotina pesada para responder nossas perguntas e lhe desejamos muita sorte em sua caminhada profissional e pessoal. Além disso, nós da Fast Progress agradecemos a todos os profissionais envolvidos nessa entrevista.

“Eu agradeço pela entrevista, por lembrarem de mim e por darem atenção para um esporte que luta tanto por visibilidade. Espero que vocês continuem transmitindo essas leituras e entrevistas bacanas para outras pessoas, pois tenho certeza que vocês estão espalhando o bem por ai. Também agradeço aos leitores da Fast Progress, um beijo a todos. Já para os meus fãs, muito obrigada pelo carinho e pelas mensagens, por sempre estarem do meu lado independente de vitória ou derrota. O importante é que o apoio é de verdade, um beijo a todos”, finalizou Amandinha em entrevista para a Fast Progress.

Texto por: Arthur Fernandes